Voltaire Akbar

Voltaire para cá, Voltaire para lá. A Europa, metralhada e bombardeada, resgatou Voltaire. Isso é bom. Voltaire merece ser evocado cinco vezes por dia, como Alá pelos muçulmanos. Voltaire Akbar. 

Depois de Voltaire, porém, veio Hitler. E só então a Europa virou a Europa: guerreando contra o totalitarismo, derrotando o totalitarismo. A liberdade se tornou o valor fundamental da Europa à custa de milhões e milhões de mortos. 

Mas a derrota do totalitarismo não garantiu aos europeus somente a liberdade de opinião. Ela garantiu, também, a liberdade religiosa. Porque uma não existe sem a outra. Quando a liberdade de opinião foi reprimida, aqueles que pertenciam a outra religião foram parar nos campos de extermínio. 

Ao se recusarem a se subordinar ao totalitarismo jihadista, os cartunistas do Charlie Hebdo não estavam defendendo apenas a liberdade de opinião. Eles estavam defendendo igualmente um sistema de valores que garante, entre outras coisas, a liberdade religiosa. O papa não leu Voltaire e não entende isso. Voltaire Akbar.

Hoje é domingo, dia de missa. Acabou o sermão.

A benção de Voltaire