Quem é Eduardo Bolsonaro?

Quem é Eduardo Bolsonaro?
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Eduardo Nantes Bolsonaro, o 03, é o terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro. Desde 2015, é deputado federal por São Paulo, apesar de quase nunca dar as caras no estado. 

O 03 nasceu em 1984, no Rio de Janeiro, fruto do primeiro casamento do presidente, com Rogéria Bolsonaro. Ele se formou em direito na UFRJ em 2009. Eduardo é casado com Heloísa Wolf desde 2019.

Aos 18 anos, em 2002, três dias após entrar na faculdade, Eduardo foi nomeado para um cargo comissionado de 40 horas semanais na liderança do então partido do pai na Câmara dos Deputados, o PPB. No ano seguinte, o 03 ocupou outro cargo no gabinete do PTB, de Roberto Jefferson.

Enquanto supostamente atuava em Brasília, Eduardo morava no Rio de Janeiro, o que indica que ele foi um funcionário fantasma, assim como seu irmão Flávio Bolsonaro. O 03 chegou a dizer, em 2019, que não lembrava do ocorrido.

O 03 é o integrante da prole de Jair Bolsonaro que entrou mais tarde na política. Em 2014, foi eleito deputado federal puxado pelos votos de Marco Feliciano. Eduardo era filiado ao PSC. Em 2018, já no PSL, ele foi reeleito ao cargo como o deputado federal mais votado da história do Brasil, como um repositório de votos de seu pai, eleito presidente na ocasião.

Eduardo foi cogitado por Jair Bolsonaro para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, mas o presidente acabou desistindo da ideia por causa da pressão contrária à indicação. O 03 também fez ataques à China diversas vezes.

Quem são os irmãos de Eduardo Bolsonaro? 

Reprodução/Twitter/Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro é irmão de Carlos e Flávio Bolsonaro. Ambos são filhos da primeira esposa de Jair, Rogéria. 

O deputado tem como meio-irmão Jair Renan, filho do segundo casamento do presidente, com Ana Cristina Valle, e como meia-irmã Laura, filha da atual esposa de Bolsonaro, Michelle.

De acordo com a numeração militar utilizada pelo presidente para se referir aos filhos em ordem cronológica, Flávio é o 01; Carlos, o 02; Eduardo, o 03; e Renan, o 04. Laura, ou “Laurinha”, fica de fora da contagem.

Polêmicas sobre Eduardo Bolsonaro 

Foto: Mateus Bonomi/Crusoé

Atritos Internacionais

Eduardo gosta de arrumar problemas internacionais para o Brasil. O 03 foi cogitado por Bolsonaro para ocupar a embaixada brasileira nos Estados Unidos, em 2019, mas a repercussão negativa causou uma mudança de planos.

Um dos argumentos a favor da indicação era que o 03 já havia morado nos Estados Unidos e “fritado hambúrguer no país”. Ao defender a nomeação de Eduardo, o presidente afirmou que daria um “filet mignon” para os filhos sempre que pudesse.

O 03 já atacou a China diversas vezes. Em uma delas, a China reagiu e ameaçou dificultar as relações comerciais com o Brasil. Eduardo acusou o país asiático de promover a espionagem por meio da tecnologia 5G. A Embaixada Chinesa publicou uma nota dura repudiando a declaração.

Apelido de “Bananinha”

Em um de seus ataques à China, Eduardo ganhou o apelido de “Bananinha”. A senha para alcunha foi dada pelo vice-presidente Hamilton Mourão. O 03 acusou a China de ser a responsável pela propagação do coronavírus pelo mundo. Mourão respondeu alertando que apesar do sobrenome Bolsonaro, Eduardo não tinha cargo no governo, por isso a fala não deveria ser tratada como uma opinião do governo. Segundo ele, se Eduardo tivesse o sobrenome “Bananinha”, não teria havido problema nenhum.

Eduardo Bolsonaro flerta com golpe militar

O 03 já flertou mais de uma vez com a possibilidade de um golpe militar. Ainda em 2018, durante a campanha de seu pai à presidência, Eduardo afirmou que bastava “um soldado e um cabo” para fechar o STF. Em 2019, Bananinha cogitou a hipótese de um “novo AI-5” “se a esquerda radicalizar”.

Investigações sobre Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro é investigado pela CPMI das Fake News, uma comissão do Congresso com o objetivo de investigar a propagação de notícias falsas. Eduardo já recorreu ao STF para tentar barrar o funcionamento da CPMI.

A PGR abriu, em dezembro do ano passado, uma apuração preliminar para investigar pagamentos em dinheiro vivo feitos por Eduardo Bolsonaro na compra de dois imóveis no Rio de Janeiro, em 2011 e 2016. O deputado pagou R$ 150 mil em espécie.

Histórico de Eduardo Bolsonaro

Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
1984 – Nasce Eduardo Bolsonaro, no Rio de Janeiro.

2002 –  Aos 18 anos, Eduardo começa a cursar direito na UFRJ. Enquanto isso, consta como funcionário comissionado de 40 horas semanais no gabinete da liderança do PPB.

2003 Eduardo Bolsonaro passa a constar como ocupante de outro cargo em Brasília, na liderança do PTB de Roberto Jefferson, enquanto faz faculdade de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. O salário é de R$ 3.904 por mês, ou quase R$ 9.780 mensais em valores corrigidos. Eduardo fica 16 meses registrado na função de assistente técnico.

2004 – Eduardo faz um intercâmbio em Nova York. Mais tarde, a experiência nos Estados Unidos como” fritador de hamburger” viria a ser citada como um indicativo de que ele teria preparo para ser embaixador do Brasil em Washington, o que não aconteceu.

2006 – 03 faz um segundo intercâmbio. Dessa vez, na Faculdade de direito de Coimbra.

2009 – Eduardo forma-se em direito pela UFRJ.

2014 – Eduardo é eleito deputado federal por São Paulo.

2018 – Eduardo é reeleito deputado federal, obtendo a maior votação da história para o cargo.

2019 Jair Bolsonaro cogita nomear Eduardo para a embaixada brasileira nos Estados Unidos, mas desiste da ideia.

Eduardo fala em “novo AI-5” se a esquerda radicalizar.

Eduardo se casa com Heloísa Wolf.

2020 –  03 acusa a China de espionagem por meio da tecnologia 5G. O País asiático reage e ameaça dificultar as relações comerciais com o Brasil.

2021 – Em meio à pandemia de Covid-19, Eduardo disse para os brasileiros enfiarem “a máscara no rabo”.

O que Eduardo Bolsonaro fez?

Foto: Adriano Machado/Crusoe
Eduardo Bolsonaro já apresentou ao todo 55 propostas legislativas. Em seu primeiro mandato, de 2015 a 2018, foram 37. No segundo, de 2019 até agora, foram 28. 

O deputado conseguiu aprovar apenas dois projetos de lei. Um deles cria o Dia Nacional da Pessoa com Atrofia Muscular Espinhal. O outro inscreve o nome de Ayrton Senna no Livro dos Heróis da Pátria.

Uma das propostas apresentadas por Eduardo, por exemplo, defende que a distribuição de símbolos ou emblemas comunistas, como a foice e o martelo, e a estrela pentagonal, deveria levar à cadeia. De acordo com o projeto, o crime poderia levar a uma pena de nove a 15 anos de reclusão. O tempo na prisão seria ainda maior se a propaganda comunista fosse feita em escolas, universidades ou por rádio ou televisão.

Um outro projeto de Eduardo defende que sejam exigidos de professores das redes estaduais, municipais, distrital e federal “exames toxicológicos de uso de drogas ilícitas com larga janela de detecção”. A proposta estabelece que os professores pegos com alguma droga no organismo recebam uma recomendação de tratamento, sem prejuízo de outras medidas administrativas.

É também de Eduardo a ideia de castrar quimicamente estupradores, permitir comerciais de armas nos meios de comunicação e um horário gratuito diário na TV para o governo fazer a sua propaganda.

No ano passado, Eduardo Bolsonaro foi presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

 

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