Quem é Flávio Bolsonaro?

Quem é Flávio Bolsonaro?
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Flávio Nantes Bolsonaro, o 01, é o filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro. Desde 2019, ele é senador da República pelo estado do Rio de Janeiro. Hoje, Flávio é filiado ao partido Republicanos.

O 01 nasceu em 1981, no Rio de Janeiro, fruto do primeiro casamento de Jair Bolsonaro, com Rogéria Bolsonaro. Flávio se formou em direito pela Universidade Cândido Mendes.

Aos 19 anos, no período em que estava na faculdade no Rio, Flávio passou a constar como funcionário do gabinete do PPB em Brasília, o que indica que ele tenha atuado como assessor fantasma. Hoje, é casado com Fernanda Bolsonaro, com quem tem duas filhas: Luiza e Carolina.

Flávio entrou para a política cedo, em 2003, aos 22 anos. Ele foi eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro, cargo que ocupou até 2018, quando se candidatou ao Senado. Como deputado na Alerj, o 01 manteve um esquema de rachadinha, segundo o MP-RJ. Fabrício Queiroz é apontado como seu operador.

Flávio e Queiroz foram denunciados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em novembro de 2020. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, vai analisar o caso. Em fevereiro de 2021, o STJ anulou as quebras de sigilo bancário de Flávio e elas não podem mais ser usadas no processo.

Em março de 2021, Flávio comprou uma mansão em Brasília por R$ 6 milhões.

Quem são os irmãos de Flávio Bolsonaro?

Reprodução/Twitter/Eduardo Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é irmão de Carlos e Eduardo Bolsonaro. Ambos são filhos da primeira esposa de Jair, Rogéria. 

O senador tem como meio-irmão Jair Renan, filho do segundo casamento do presidente, com Ana Cristina Valle, e como meia-irmã Laura, filha da atual esposa de Bolsonaro, Michelle.

De acordo com a numeração militar utilizada pelo presidente para se referir aos filhos em ordem cronológica, Flávio é o 01; Carlos, o 02; Eduardo, o 03; e Renan, o 04. Laura, ou “Laurinha”, fica de fora da contagem.

As investigações sobre Flávio Bolsonaro

 As investigações contra Flávio têm deixado Jair Bolsonaro de cabelo em pé. Como comprovado pela divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril de 2020, ele queria interferir na Polícia Federal para proteger o filho. O presidente conseguiu substituir o diretor-geral do órgão.

Bolsonaro também movimentou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para blindar Flávio. Como revelado pela Crusoé, o diretor da agência de inteligência enviou relatórios aos advogados do senador dando instruções sobre como anular as investigações contra ele.

Caso das Rachadinhas

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Como deputado na Alerj, Flávio  orquestrou um elaborado esquema de rachadinha, segundo o MP-RJ. Flávio mantinha funcionários fantasmas como assessores de seu gabinete, que devolviam a maior parte de seus salários a ele. O principal operador do esquema foi Fabrício Queiroz, alocado por Jair Bolsonaro no gabinete do filho.

O caso começou a vir à tona em dezembro de 2018, quando foram divulgados relatórios de inteligência financeira do Coaf, que apontou movimentações financeiras suspeitas na conta de Queiroz. Pouco tempo antes, ele havia sido exonerado, assim como sua filha Natália, que trabalhava no gabinete de Jair, em Brasília.

Posteriormente, o empresário Paulo Marinho, suplente de Flávio, afirmaria que a família Bolsonaro recebeu informações privilegiadas sobre o relatório do Coaf e, por isso, exonerou os funcionários.

As investigações do MP-RJ apontam que Queiroz pagava uma série de despesas da família de Flávio, como as mensalidades escolares de suas filhas. Além disso, o operador depositava cheques para Jair Bolsonaro por meio da conta de Michelle, como revelado pela Crusoé.

Flávio e Queiroz foram denunciados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa em novembro de 2020. Eles aguardam uma decisão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que vai analisar o caso.

Em junho do ano passado, Flávio ganhou  foro privilegiado retroativo da 3ª Câmara Criminal do Tribunal, por isso o caso não pode ser analisado pela Justiça comum. O ministro do STF, Gilmar Mendes, é relator de um recurso do MP que tenta anular o foro do 01.

Em 2021, o STJ anulou as quebras de sigilo bancário de Flávio, de modo que elas não podem mais ser usadas no processo das rachadinhas.

Caso da Loja de Chocolates

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Em 2021, o MP-RJ deve avançar na investigação sobre lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro. O 01 é acusado de usar sua loja de chocolates para emitir notas falsas com o objetivo de reaproveitar o dinheiro desviado do esquema de rachadinha.

Flávio comprou em 2014, ao lado do empresário Alexandre Santini, uma franquia da Kopenhagen. De acordo com o MP, o valor empreendido pelo 01 na aquisição da loja, R$ 400 mil, não era compatível com o rendimento dele.

A Bolsotini Chocolates & Café foi alvo de multas da Kopenhagen por vender produtos abaixo dos preços tabelados pela empresa. A loja vendia produtos com descontos, mas colocava o preço cheio na nota fiscal. Isso permitia que Flávio inserisse no caixa o dinheiro desviado da Alerj.

O sócio de Flávio, Alexandre Santini, chegou a ameaçar o antigo dono da loja, Cristiano Correia, por ter denunciado o esquema à matriz.

A franquia foi vendida em fevereiro de 2021.

Histórico político de Flávio Bolsonaro

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
1981 – Nasce Flávio Bolsonaro, fruto do casamento do Jair Bolsonaro com Rogéria Bolsonaro.

2000 – Flávio, aos 19 anos, passa a constar como ocupante do gabinete do PPB, que viria a se tornar o PP, em Brasília, enquanto faz faculdade no Rio de Janeiro, o que indica que ele tenha atuado como funcionário fantasma.

2001 – Flávio Bolsonaro se filia ao PPB.

2002 – É eleito como deputado estadual pelo Rio de Janeiro. Na Alerj, viria a comandar um esquema de peculato e desvio de dinheiro público em seu gabinete por meio de funcionários fantasmas.

2003 – Flávio assume como deputado. Mariana Mota, chefe de gabinete, foi a responsável pela operação dos recursos desviados do esquema de rachadinha, segundo o MP-RJ. Naquele ano, o amigo de Jair Bolsonaro Fabrício Queiroz começa a trabalhar para Flávio como agente de segurança. Mais tarde ele viria a assumir o posto de operador do esquema.

2005 –  Flávio tem uma rápida passagem pelo Partido da Frente Liberal (PFL) e regressa ao PP.

2006 – O 01 é reeleito como deputado estadual.

2007 – Queiroz, sua esposa, Márcia Aguiar, e sua filha, Nathália Queiroz, começam a trabalhar oficialmente no gabinete de Flávio.

2008 – Flávio paga R$ 86 mil em dinheiro vivo pela compra de 12 salas comerciais. O 01 conhece Alexandre Santini, com quem viria a formar sociedade em uma Loja de Chocolates.

2010 –  Flávio é eleito para o terceiro mandato como deputado estadual.

2011 – Fabrício Queiroz e Márcia Aguiar começam a depositar uma sequência de cheques no valor total de R$ 89 mil na conta de Michelle Bolsonaro, como revelado pela Crusoé. Foram R$ 26 mil neste ano.

Queiroz deposita R$ 25 mil na conta da esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro. O dinheiro, segundo o MP, ajudou o casal a dar entrada em um apartamento dias depois.

2012 – Queiroz deposita R$ 18 mil a Michelle. Flávio paga R$ 638 mil em dinheiro vivo por dois imóveis em Copacabana.

2013Queiroz deposita R$ 27 mil na conta de Michelle Bolsonaro.

2014 – Flávio e Alexandre Santini compram uma loja de chocolates da franquia Kopenhagen. A loja é apontada como instrumento de lavagem de dinheiro. Segundo o MP, o valor empreendido por Flávio na aquisição da loja, R$ 400 mil, não é compatível com seus rendimentos.

Flávio é eleito para o quarto mandato como deputado estadual.

2016 – Flávio se filia ao Partido Social Cristão (PSC) e disputa a prefeitura do Rio de Janeiro. Ele ficou em 4º lugar, com 14% dos votos válidos. Na ocasião, Marcelo Crivella foi eleito.

Filha de Queiroz, Nathália, apontada como funcionária fantasma, deixa o gabinete de Flávio e passa a constar como assessora de Jair Bolsonaro em Brasília. Ela continuou morando no Rio de Janeiro e dando aulas como personal trainer. Nathália também continuou transferindo a maior parte de seu salário para a conta do pai.

Fabrício Queiroz deposita um total de R$ 36 mil reais na conta de Michelle.

2018 – Suposto vazamento do PF revelado pelo empresário Paulo Marinho alerta família Bolsonaro sobre investigações a respeito do esquema de rachadinha. Fabrício Queiroz é exonerado do gabinete de Flávio e sua filha, Nathalia, é exonerada do gabinete de Jair.

O 01 ingressa no Partido Social Liberal (PSL) para disputar uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro. Ele é eleito ao lado de Arolde de Oliveira, do Partido Social Democrático.

Relatório do Coaf aponta movimentações bancárias atípicas em contas de Queiroz. Caso vem à tona pela primeira vez.

2019Flávio deixa o PSL, assim como seu pai, após desentendimento com a presidência do partido.

Coaf aponta que, além da quantia movimentada por Fabrício Queiroz entre 2016 e 2017, haveria mais R$ 5,8 milhões movimentados em 2014 e 2015. Os valores somam R$ 7 milhões.

Durante o recesso do Poder Judiciário, o presidente do STF, Dias Toffoli, suspende investigações baseadas em dados do Coaf, como a que atinge Flávio Bolsonaro. Meses depois, o plenário da Corte autoriza o compartilhamento dos dados e as investigações são retomadas.

2020 – Sergio Moro deixa o governo apontando inteferência de Jair Bolsonaro na PF. Vídeo da reunião ministerial de 22 de abril comprova alegações do ministro.

Fabrício Queiroz é preso em sítio de advogado de Jair e Flávio Bolsonaro, Frederick Wassef. Sua mulher é dada como foragida.

Flávio Bolsonaro ganha foro privilegiado retroativo do TJ do Rio. Então presidente do STJ, João Otávio de Noronha, manda Queiroz e sua mulher, que estava foragida, para prisão domiciliar.

O 01 ingressa no Republicanos.

2021 – STJ anula as quebras de sigilo bancário de Flávio e elas não podem mais ser usadas no processo das rachadinhas.

Flávio compra uma mansão em Brasília por R$ 6 milhões.

O que Flávio Bolsonaro já fez?

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Atividade legislativa

Durante os 16 anos em que atuou como deputado estadual na Alerj, Flávio foi autor de 13 projetos aprovados, que hoje vigoram como leis ordinárias no Estado do Rio de Janeiro.

Flávio se elegeu ao Senado com 4 milhões de votos em 2019, sendo o terceiro senador mais jovem da Legislatura. Desde então, não conseguiu aprovar nenhuma proposta legislativa.

Como senador, o 01 apresentou 23 projetos de Lei. Vinte deles em 2019 e apenas 3 em 2020, ano conturbado pelos escândalos envolvendo o esquema de rachadinha.

Em comparação aos irmãos, Flávio tem propostas de teor mais moderado. A maioria tem ligação com matérias penais. Nos últimos tempos, as propostas feitas pelo senador indicam uma proximidade muito maior com o setor produtivo e a área econômica.

Um dos projetos versa sobre o regime de competência dos entes federados em relação à segurança cibernética. Outro autoriza a realização de assembleias de acionistas por meio de videoconferência. Além disso, Flávio apresentou um projeto que autoriza a emissão de debêntures por sociedades limitadas e cooperativas.

Ele ainda é autor de duas propostas de emenda à Constituição. Uma delas tem o objetivo de reduzir a maioridade penal para 16 anos.

Flávio foi o relator da medida provisória que criou a empresa pública NAV Brasil Serviços de Navegação Aérea S.A. O texto foi aprovado.

Líder informal do governo:

Flávio Bolsonaro atua como um “presidente honorário” do governo, como mostrou a Crusoé. Ele recebe de Jair Bolsonaro as missões mais delicadas ligadas à articulação do Planalto, ainda que não tenha cargo no governo.

O 01 teve participação, por exemplo, na indicação de Kassio Marques ao STF. Flávio também atuou em negócios entre o advogado lobista Frederick Wassef e a concessionária do Aeroporto de Viracopos.

Wassef foi contratado por R$ 5 milhões para ajudar a empresa em uma disputa judicial que travava desde 2012. Três meses depois do acordo e de uma reunião entre os representantes da empresa, o advogado e Flávio, a ANAC beneficiou a concessionária. 

Em 2019, Flávio fez pressão contra a instauração da CPI da Lava Toga, que tinha como objetivo investigar ministros do STF.

Flávio Bolsonaro e as redes sociais

Foto: Reproduçao
Assim como Jair, Eduardo e Carlos, Flávio Bolsonaro é um usuário ativo das redes sociais. Ele costuma fazer anúncios sobre os feitos de seu mandato e sobre sua vida pessoal na internet.

Ainda assim, Flávio é o Bolsonaro que menos usa as redes. Ele tem menos seguidores que Carlos e Eduardo.

Twitter

A conta de Flávio no Twitter tem mais de 1,5 milhão de seguidores. Na rede social, o 01 costuma repostar publicações do pai a respeito das ações do governo federal e das contas oficiais dos ministérios.

Como é praxe na família, Flávio usa o Twitter para fazer ataques a outras autoridades. Um de seus alvos preferidos é o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

O 01 também faz postagens contra o isolamento social e defende a retomada do comércio em meio à pandemia.

Facebook

Flávio Bolsonaro tem em sua página no Facebook cerca de 1,4 milhão de curtidas. Na rede, o 01 também reproduz vídeos sobre ações do governo federal e de Jair Bolsonaro.

O senador tem o hábito fazer postagens criticando governadores e prefeitos por ações de combate à Covid-19.

Youtube

A conta de Flávio Bolsonaro no Youtube conta com quase 300 mil seguidores. O canal é a plataforma mais ativa do senador. Ele posta vídeos diariamente com trechos de falas de Jair Bolsonaro, reportagens que enaltecem o governo e discursos que tentam desmascarar opositores do presidente.

Em um dos poucos vídeos autorais postados por Flávio no Youtube, o senador tenta, durante 14 minutos, desmentir as acusações feitas pelo MP-RJ sobre o esquema de rachadinha na Alerj.

Parler

Depois que Donald Trump teve suas contas nas redes sociais suspensas, Flávio, assim como seu pai e seus irmãos, seguiu o exemplo do então presidente americano e aderiu também ao Parler. A rede social tornou-se um reduto da extrema direita internacional.

Leia mais: Guedes e seu ideário foram inteiramente soterrados pelos planos de sobrevivência política do presidente da República e da sua própria reeleição
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