Quem é Marcelo Queiroga?

Quem é Marcelo Queiroga?
Foto: Reprodução/redes sociais

Marcelo Queiroga é o atual ministro da Saúde do Brasil. Ele aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro no dia 15 de março de 2021, com a saída de Eduardo Pazuello, e assumiu no dia 23 de março. Queiroga é o quarto ministro da Saúde do governo Jair Bolsonaro.

Queiroga nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 1963. É formado em medicina pela Universidade Federal da Paraíba e especialista em cardiologia. 

O médico já presidiu a seção paraibana da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC/PB) e a Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). Desde 2019, presidia a Sociedade Brasileira de Cardiologia, até ser nomeado ministro da Saúde.

Em 2018, Queiroga participou, como convidado, da equipe de transição do Ministério da Saúde, depois que Bolsonaro foi eleito presidente da República.

Em 2020, pouco antes da eclosão da pandemia de Covid-19, o médico foi indicado para Agência Nacional de Saúde Suplementar. Desde então, ele aguardava a sabatina no Senado.

Relação com Flávio Bolsonaro

Marcelo Queiroga, Flávio Bolsonaro e Hélio Roque
O nome de Marcelo Queiroga foi levado a Jair Bolsonaro pelo filho Flávio. O médico é amigo do sogro do 01, Hélio Roque Figueira.

Quando assumiu a presidência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, em 2019, Queiroga nomeou Figueira coordenador de Assuntos Estratégicos da entidade. Na cerimônia de posse, Flávio fez um discurso em homenagem a Queiroga: 

“Quero deixar meus parabéns, desejar muito sucesso e muita força. É uma missão difícil, mas muitas outras podem surgir pelo caminho, não é, Marcelo? Tenho certeza de que o senhor está preparado e qualificado para qualquer missão que o Brasil venha a lhe chamar na área médica.”

A proximidade entre Queiroga e o sogro de Flávio não aconteceu por acaso. O atual ministro da Saúde iniciou a aproximação ainda em 2018, durante a campanha eleitoral. Ele percebeu que a relação com Hélio Figueira poderia ser a oportunidade de ter contato com o filho do então possível presidente do Brasil, disseram colegas seus à Crusoé.

A partir de então, Queiroga passou a frequentar a casa de Flávio e se tornou uma espécie de conselheiro médico do 01.

Em 2020, por indicação de Flávio, Bolsonaro escolheu Queiroga para comandar a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde responsável pelo setor de planos de saúde no Brasil. Ele seria sabatinado no Senado, quando a pandemia de Covid-19 eclodiu e o evento precisou ser suspenso.

 

Marcelo Queiroga e as redes sociais

Foto: Reprodução/redes sociais
O perfil de Marcelo Queiroga no Twitter tem duas menções ao presidente Jair Bolsonaro.

Na primeira, em julho de 2019, Queiroga publicou uma foto de Bolsonaro conversando, no Congresso, com o então deputado Enéas Carneiro, O cardiologista deu a seguinte legenda à foto:

“Registro histórico do encontro de dois grandes brasileiros.”

Em setembro de 2020, depois de ser indicado para a ANS, Queiroga respondeu a uma publicação de Flávio Bolsonaro que divulgava o boletim médico de Jair Bolsonaro após a retirada de um cálculo da bexiga. O médico escreveu:

“Com a graça de Deus, nosso presidente Jair Bolsonaro vai superar mais essa adversidade.”

Posicionamentos

Foto: Divulgação/Soc. Brasileira de Cardiologia
No contexto da pandemia de Covid-19, Marcelo Queiroga deu entrevistas à Televisão para comentar os riscos do novo vírus.

Em abril, o cardiologista defendeu a importância do isolamento social: 

“O isolamento social visa a reduzir aquele pico de pessoas que precisam de internação hospitalar. É uma medida recomendada pelas autoridades sanitárias de uma maneira homogênea.”

O médico ainda defendeu o Sistema Único de Saúde:

“Fortalecimento do SUS, esse é o recado que a pandemia traz para os brasileiros”.

Em sua primeira entrevista depois de ser convidado por Bolsonaro para o ministério, Queiroga adaptou o discurso ao do chefe e defendeu que o lockdown não pode ser a política do governo e que medicamentos sem comprovação científica podem ser usados em algumas situações.

Os secretários de saúde que conhecem o novo ministro, Marcelo Queiroga, dizem que não faz parte do perfil dele bater de frente com quem está acima.

Um dia após ser nomeado, Queiroga afirmou: A política é do governo Bolsonaro, não é do ministro da Saúde. O ministro da Saúde executa a política do governo.”

Enquanto esteve à frente da SBC, Queiroga se mostrou simpático à cloroquina e fez de tudo para não ir na contramão da narrativa do governo sobre o medicamento. Mesmo depois de várias entidades médicas divulgarem notas contra a prescrição de cloroquina, a associação evitava um posicionamento.

Diante de forte pressão interna, a SBC acabou divulgando um comunicado afirmando que não recomendava a substância. Horas mais tarde, a posição mudou e a entidade passou a defender a liberdade de médicos para prescrever o medicamento.

Histórico profissional

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
  • 1963 – Nasce Marcelo Queiroga, em João Pessoa, na Paraíba.
  • 1988 – Queiroga se forma em medicina na Universidade Federal da Paraíba.
  • 1992 – O médico se torna residente em Cardiologia no Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro.
  • 1998 – Queiroga assume o cargo de presidente da seção da Paraíba da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBP/PB).
  • 2010 – O cardiologista inicia um doutorado em Bioética, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal.
  • 2012 – Queiroga assume o cargo de presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI)
  • 2018 – Queiroga é eleito presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). O médico participa, como convidado, da equipe de transição de governo de Jair Bolsonaro.
  • 2019 – Queiroga assume a presidência da Sociedade Brasileira de Cardiologia e nomeia o sogro de Flávio Bolsonaro, Hélio Roque Figueira, coordenador de Assuntos Estratégicos da SBC. O filho 01 do presidente participa da posse e faz um discurso em homenagem a Queiroga 
  • 2020 – Flávio indica o nome de Queiroga para a Agência Nacional de Saúde Suplementar. Ele esperava a sabatina no Senado, que foi suspensa por conta da pandemia. 
  • Em entrevistas, Queiroga defende a importância do isolamento social e do SUS.
  • 2021 – Em sua primeira entrevista como ministro, Queiroga rechaça o lockdown e defende o uso de medicamentos sem evidência científica comprovada, como a cloroquina, para o tratamento de Covid. Queiroga afirma que a política de enfrentamento à Covid-19 é do governo, não do Ministério da Saúde.
 

Leia mais: Assine a Crusoé, a revista que não tem medo de apontar os verdadeiros culpados pelas mazelas brasileiras.
Mais notícias
Comentários desabilitados para este post
TOPO