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Saiba tudo o que disse a 'Capitã Cloroquina' na CPI

Saiba tudo o que disse a Capitã Cloroquina na CPI
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, a “Capitã Cloroquina”, prestou depoimento à CPI da Covid nesta terça-feira (25).

Ela reiterou seu posicionamento na defesa da cloroquina, ineficaz contra o coronavírus, da implementação do aplicativo TrateCov e falou do colapso na Saúde de Manaus.

Mayra contradisse o ex-ministro Eduardo Pazuello sobre a data em que ele foi informado sobre o desabastecimento de oxigênio.

Para a secretária bolsonarista, o culpado pela crise no Amazonas foi o vírus.

O que disse a ‘Capitã Cloroquina’

Imunidade de Rebanho

  • Mayra Pinheiro negou que o governo tenha discutido a tese da imunidade de rebanho natural.
  • A secretária disse que defendia a implementação da imunidade de rebanho apenas para crianças. Ela afirmou que a imunidade de rebanho não poderia ser adotada indistintamente.
  • A “Capitã Cloroquina” informou que não foi vacinada porque teve Covid em março e discordou da declaração de Jair Bolsonaro de que pessoas já infectadas não precisam de vacina.

Cloroquina

  • Mayra negou que tenha sido sua iniciativa pessoal recomendar a cloroquina ou que tenha recebido ordens para prescrever o medicamento na rede pública de saúde.
  • Segundo ela, o Ministério da Saúde não recomendou, apenas “orientou” o uso do “kit Covid”.
  • A secretária afirmou ainda que o Brasil não é obrigado a seguir as recomendações da OMS contra o uso da substância e que “muitas vidas poderiam ter sido salvas”, se o uso de cloroquina e de ivermectina não tivesse sido criminalizado.

Manaus

  • A “Capitã Cloroquina” disse que não era possível prever que a capital do Amazonas precisaria de mais oxigênio porque a Covid “é uma doença imprevisível”.
  • Mayra Pinheiro disse que esteve em Manaus 10 dias antes do colapso. Ela não fez nada para impedir que brasileiros morressem sem oxigênio.
  • A secretária admitiu que Eduardo Pazuello foi informado sobre o desabastecimento no dia 8 de janeiro, por um e-mail da White Martins, ao contrário do que ele havia dito em depoimento. O general disse que só havia tomado conhecimento no dia 10 de janeiro.
  • Mayra disse que informava Pazuello diariamente sobre a situação em Manaus e confirmou que o então ministro já tinha total ciência do problema quando se reuniu com Jair Bolsonaro, no dia 15 de janeiro. Na ocasião, o presidente decidiu não intervir no estado.
  • A “Capitã Cloroquina” afirmou que não é competência do Ministério da Saúde garantir o abastecimento de oxigênio nos municípios, mas sim dos governos e das prefeituras.
  • A secretária alegou que a pasta não teve nenhuma responsabilidade sobre a crise no Amazonas. Segundo ela, a responsabilidade foi do vírus.

Aplicativo TrateCov

  • Mayra defendeu a implementação do aplicativo TrateCov, que prescrevia cloroquina até para bebês. Ela disse que a responsável pela plataforma foi uma funcionária de sua secretaria.
  • A “Capitã Cloroquina” declarou que o aplicativo foi criado entre os dias 6 e 10 de janeiro, com base em uma iniciativa da OMS chamada AndroCov. Ela disse que o app ficou disponível em caráter experimental entre os dias 11 e 20 de janeiro.
  • A secretária negou que a plataforma tenha sido hackeada, como afirmou Pazuello. Segundo ela, houve uma extração indevida de dados na madrugada do dia 20 pelo jornalista Rodrigo Menegat. No entanto, como O Antagonista mostrou, a suposta invasão só teria ocorrido no dia 28, de acordo com a notificação da pasta.
  • Mayra disse que o TrateCov poderia ter salvado muitas vidas.

‘Ministério da Saúde paralelo’

  • Mayra afirmou que as sociedades médicas “não definem conduta do Ministério da Saúde” e que as entidades erraram diversas vezes ao longo da pandemia.
  • A secretária admitiu que o Ministério da Saúde dava prioridade a opiniões de técnicos de fora da pasta que concordavam com as posições do governo.

Fiocruz

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